Junto, misturado, em grupo!

Por Rodrigo D’Antonio Correa
Se você está chegando aqui nesse texto agora, antes de mais nada, seja bem-vindo! É importante saber que Ele faz parte de uma série de textos narrados em primeira pessoa pelo corpo do Roberto, pelo seu “animal interno”! Ah, um aviso: Esse texto pode conter pitadas de humor e ironia 🙂 – Para ler os outros “desabafos” da série, é só clicar aqui.

 

Começo de ano já começam novas metas, novos objetivos e o Roberto com as promessas de sempre: vai fazer mais exercícios, comer melhor, afinal de contas – “o importante é ter saúde, o resto a gente corre atrás” e eu aqui já estava subindo nas tamancas, achando que a gente não ia sair do lugar.

Mas me antecipei, afinal, gato escaldado tem medo de água fria! Sim, minha gente, esse ano nossa listinha veio com uma novidade maravilhosa – Vamos olhar também para a nossa saúde mental! Que beleza, isso é novo, agora a coisa vai!

E aí, como não dá pra deixar de ser, essas tais redes sociais de vocês e suas tecnologias e algoritmos já começam a bombardear o Roberto com dicas infalíveis para ser feliz, cursos e mentorias sobre como cuidar da saúde mental, nomes e siglas de “sindromes e rótulos novos”, como ser produtivo e por aí vai. Olha, parece até que esses caras escutam as coisas que Roberto conversa ou até pensa!  (Será?)

Por um lado é ótimo que esse assunto de “saúde mental” tenha virado “modinha”, porque sabendo filtrar, tem muita gente legal querendo fazer coisas interessantes nessas redes sociais. Precisamos ter paciência e disposição para pesquisar, parar e perceber o que faz sentido pra gente, né? Já falei aqui sobre isso em outros desabafos…

Eu sei, eu sei, às vezes é bem melhor se agarrar nas soluções mais fáceis, né? Sei como é, tenho minha parcela de culpa nisso, pois também tenho uma tendência de economizar energia quando vejo que nossa sobrevivência pode estar em risco. Só que, às vezes, é só minha parceira aqui, a Mente, me trazendo lembranças antigas, me pregando peças, mas com um único objetivo: manter o Roberto vivo e bem!

Enfim, voltando aqui e vendo essa maravilhosa lista de objetivos de 2026 e vendo essa busca e esse bombardeio desenfreado por técnicas, ferramentas, cursos etc me deu uma coceirinha aqui dentro… Sabe aquela sensação de que alguma coisa importante a gente estava esquecendo?

É batata, como diziam os mais antigos! Quando tenho esse instinto, preciso fazer com que Roberto escute e confie nele! 

E aí, minha gente, achei importante vir aqui ensinar… não, desculpa: relembrar uma coisa para vocês que estou pelejando para  Roberto também se relembrar ou se atentar. E digo relembrar porque isso, euzinho aqui já sei tem milhares de anos: 

Eu preciso é de presença, afeto e boas relações, muito mais do que centenas de técnicas, milhões de soluções tecnológicas, remédios, mandingas ou receitas de bolo e protocolos genéricos e impessoais. O essencial não se compra.

Antes que vocês comecem a me xingar e fechar a tela ou rasgar o papel e tirar a calça pela cabeça 🙂. SIM, CLARO! Tudo isso ajuda e é muito importante! Como já conversamos aqui algumas vezes: Quase sempre é E – e não OU – quando trago meus desabafos e reflexões aqui com vocês. E cada um vai saber, junto com seu amigo da saúde, o que é melhor e traz mais segurança para você. A questão aqui nunca vai ser ir contra ou a favor de uma ou outra solução ou caminho que cada um queira tomar, ok? 🙂 A pergunta é: como reconheço de fato o que necessito?

Mas deixa eu te contar uma coisa que tenho percebido aqui dentro e que tinha quase esquecido, mas aos poucos, conforme vamos ficando mais chegados nesses amigos da saúde, aqueles que conhecem as tais 5 Leis Biológicas e algumas outras ferramentas que me ajudam muito aqui nas minhas conversas com o Roberto, essa memória, essa sensação vai voltando. Anota aí que é importante, inclusive para você amigo da saúde que está lendo (claro, se fizer sentido, se não pode pular, rs:)

O que é mais sanador, o que vai me ajudar aqui nos meus reparos não é a técnica certa, não é aquela pergunta precisa do amigo da saúde sobre o que estou sentindo ou onde. O que me ajuda de verdade, e sem isso as outras coisas vão ajudar as vezes, mas nem sempre, e muito menos com a mesma potência, é a PRESENÇA de alguém que consegue ficar, ouvir e não se assustar com a minha dor (do Roberto), sem tentar curá-la, sem tentar consertar tudo só para aliviar sua sensação de  incapacidade de lidar com isso.

Não, essa ideia não é nenhuma novidade, não é uma “trend” ou nada que viralizou na rede social e nem alguma coisa que estou inventando só para poder reclamar do Roberto. Muita gente boa fala e já falava sobre isso. Essa reflexão aí em cima, inclusive, se não me engano e com alguma licença poética, rs, é de um amigo da saúde desses incríveis que Roberto e eu gostamos, um tal de Gabor Maté (se não conhece, dê um Google que vale a pena conhecer também).

Meus tataravós, alguns povos inteiros, muito, muito mais antigos que nós aqui já tinham essa sabedoria e iam mais longe. Falavam das relações não só entre nós, mas também com toda a natureza, com tudo o que nos rodeia. 

Um desses povos originários tem a expressão: “Todas as minhas relações” (em Lakota, Mitákuye Oyás’iŋ), que é frequentemente dita ao final de orações ou cerimônias e reflete uma visão de mundo onde tudo no universo está interligado e tem um propósito. 

Outro desses sábios, um tal de Buda (parece que é conhecido aí de vocês, hehe, se também não conhece, depois dê um Google aí, ele fala muita coisa boa, hein), disse uma vez:

Quando olhar para uma folha ou uma gota de chuva, medite sobre as condições próximas e distantes que contribuíram para a presença dessa folha ou gota de chuva. Saiba que o mundo é uma trama de fios interconectados, isto é porque aquilo é. Isto não é porque aquilo não é. Isto nasce porque aquilo nasce. Isto morre porque aquilo morre.

Outra reflexão potente que Roberto estava lendo outro dia daquele cara que quase sempre citamos por aqui, o amigo da saúde André Chediek e que faz a gente realmente parar para pensar e me faz querer pegar a listinha de 2026 do Roberto e INCLUIR isso no topo, bem grande, com letras garrafais e coloridas, também com figurinhas de IMPORTANTE, NÃO ESQUECER:

“O Vínculo humano é uma necessidade, uma imposição biológica. O ser humano, quando está em apuros, não procura um lugar. Ele procura uma pessoa. Nós nos organizamos através das relações pessoais.” 

Mas todo esse emaranhado, toda essa coisa de “junto e misturado” também traz questões importantes sobre com quem e como você se relaciona, como você cuida, nutre e escolhe suas relações, sejam elas familiares, de amizade, amorosas ou profissionais. E como você se relaciona com você mesmo.

Minha gente, do mesmo jeito que precisamos de boas relações, de viver em bons ambientes, daquelas pessoas e amigos da saúde com quem podemos contar e compartilhar nossas mazelas, as coisas que fazemos e que não queríamos ter feito  (escolhendo ou não, rs) e de sermos essas pessoas para alguém, às vezes parece que vocês se esquecem de que vento que venta lá, venta cá!

Sim! As relações ruins, ou melhor, as que não servem ou não fazem sentido para você naquele momento da sua vida, aquele ambiente onde você não se sente de acordo com a sua biologia, porque tem que  atender a condições para caber e essas condições te afastam de você mesmo, as questões, faltas ou excessos que temos, quando falamos dos nossos pais ou dos cuidadores, que não escolhemos quando pequenos, estão relacionadas com  os nossos processos traumáticos mais profundos que, com o passar do tempo, acabam nos adoecendo.

E vou fechar com outra coisa que ouvi do André, de maneira bem mais bonita e bem mais regulada do que eu tentei explicar em forma de desabafo, porque preciso dar um recadinho pro Roberto aqui de leve antes que precise ser mais enérgico! 😂

“Traumas interpessoais precisam ser curados no coletivo”.  Grande parte das nossas feridas, dos nossos silêncios vieram desse contexto interpessoal. As patologias, os processos e os grandes desafios não são individuais…” – @andrechediek

Tendeu, Robertinho!? Bora mexer nessa lista de 2026 aí! 😂

Ihhh gente, como sempre essas conversas me deixam com muita vontade de fazer xixi… Fuuuui!

 
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